com seu aspecto peculiar.
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2012
Depois de toda a agitação sobre minhas imagens das enormes sucuris, hoje vou falar de um bicho bem menor, mas nem por isso menos temido - injustificadamente.
Há algumas semanas postei mensagem na minha página do Facebook informando que queria fotografar a jequitiranaboia ou cobra-cigarra, pedindo que, caso alguém encontrasse uma, por favor me avisasse. Trata-se de um inseto totalmente inofensivo, uma espécie de cigarra que se alimenta apenas da seiva das árvores, mas tem uma aparência assustadora – e a ideia é esta mesmo! Com seu cabeção que mais parece a cara de um jacaré e seus "olhos de coruja" nas asas, poucos passarinhos ou outros predadores se arriscam a caçá-la. Ou seja, é sua estratégia de defesa.
(o olho verdadeiro fica logo acima desse pontinho branco
no centro da imagem).
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2012

Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2008
O mais legal de tudo foi a coincidência que se seguiu, relacionada à história das sucuris. Semana passada me telefonou o Dr. Vidal Haddad Jr, dermatologista da UNESP e do Instituto Butantan especializado em acidentes com animais peçonhentos (veja aqui suas entrevistas no Programa Bem Estar e no Programa do Jô). Ele queria informações sobre as tais fotos que estavam “bombando na internet”, pedindo autorização de uso de uma delas em um livro a ser lançado este ano. Como costumo fazer em casos como este (leia nosso compromisso no site da Photo in Natura), concordei imediatamente.

Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2012
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2008
Pois ao chegar em casa, já com o tal bicho pronto pra ser fotografado, dou de cara com o livro “Animais Peçonhentos no Brasil”, do qual o Dr. Haddad é um dos autores e gentilmente me enviou um exemplar que acabara de ser entregue. Antes de fotografar a jequitiranaboia, fui dar uma folheada rápida no livro e, na página 279, entre outras informações sobre esta espécie, a afirmação categórica de quem entende do assunto: “... não há risco nenhum de acidentes...”.
E assim ficam duas lições: primeiro, a recomendação que sempre faço quando ministro os cursos de fotografia de natureza, para que os entusiastas da fotos mantenham sempre uma rede de contatos com pessoas que uma hora ou outra poderão ajudá-lo em suas imagens. Segundo, que as cobras-cigarra ou jequitiranaboias não fazem partes do corpo “secarem e caírem" - ou seja, conhecer melhor nossos animais e desmistificar perigos inexistentes sempre ajudam a conservar a nossa rica fauna.
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