Segunda-feira, Maio 14, 2012

Morcegos em Ação!
(ou: “Basta Uma Esbarradinha...”)



Ao final desta postagem você entenderá o motivo para ela ter dois nomes :-)
 
 Final de tarde na linda baía que dá nome à Fazenda.
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2012

Aproveitamos este final de semana para conhecer a Fazenda Baía Grande, mais um destino turístico no Pantanal de Miranda (MS). Dentre as habituais belezas da região, como bichos, árvores, paisagens e um povo pra lá de bacana, mal sabíamos que a maior surpresa estava reservada para o final do primeiro dia de atividades: após o jantar, ao retornarmos da focagem noturna (um passeio feito em veículo aberto utilizando um holofote para procurar animais), estacionamos ao lado de uma pequena figueira que misteriosamente, apesar da ausência de vento, chacoalhava de forma notável.

Focagem em busca de animais noturnos.
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2012

Não demorou muito para entendermos o que estava acontecendo: seus frutos maduros estavam sendo avidamente devorados por dezenas de morcegos-das-frutas, estes bichinhos tão mal compreendidos e injustamente temidos. Era uma revoada sem fim destes mamíferos pra lá e pra cá aproveitando o banquete e, sem saber, desempenhando seu importante papel como dispersores de sementes (para quem não sabe, em algumas regiões tropicais os morcegos são os principais responsáveis pela recomposição das florestas, ao defecar sementes de árvores durante seus voos noturnos).

 
Morcegos fazendo um banquete na figueira...
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2012

Lá estava minha chance para tentar algum registro bacana que mostrasse esta intensa atividade, tarefa nada fácil na escuridão e considerando a rapidez com que estes bichos voam. Fizemos o que foi possível dadas as circunstâncias - ficamos uma hora fotografando, filmando e admirando a cena inédita para nós.

Chegando em casa fui olhar as fotos e, ao abrir o arquivo com uma das imagens que eu mais gostei, a desagradável surpresa: na hora de fotografar, eu provavelmente esbarrei no botão que controla os ajustes da câmera e a fotografia foi feita em um modo automático diferente daquele que eu queria utilizar... Felizmente não foi o fim do mundo, a imagem até ficou boa, mas não possuo ela no formato RAW, como seria o ideal – apenas em JPG. Lembrei na hora das conversas sobre estes assuntos que tive com os participantes do Curso de Introdução à Fotografia de Natureza que concluímos recentemente...

 ... enquanto o Adriano, nosso guia pantaneiro, também admira a cena.
Olhe atentamente, nesta cena aparecem ao menos OITO morcegos!
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2012
(ESTA É A FOTO FEITA COM A CÂMERA NA REGULAGEM ERRADA...)

Esta é uma falha de projeto bem conhecida para a câmera Canon EOS 7D, tanto que o fabricante até oferece um acessório para ajudar a minimizar o problema – mas você tem que pagar por isto... Eu já havia QUASE tido problemas pelo fato dos ajustes mudarem durante o transporte da câmera na mochila, mas esta foi a primeira vez que isto aconteceu no meio de uma sessão crítica de fotos. E espero que tenha sido a última, afinal ninguém merece perder sua melhor foto do dia por causa de uma esbarradinha...

O culpado por eu quase ter perdido a foto acima...
Foto: © Divulgação Canon Inc.

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Segunda-feira, Maio 07, 2012

Mais um Curso de Fotografia
bem sucedido!

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Foto: © Tietta Pivatto | Photo in Natura, 2012
Finalmente conseguimos trazer para Bonito, onde moramos, o Curso de Introdução à Fotografia de Natureza, que terminou ontem após 20 horas intensas de atividades teóricas e práticas. Abordamos desde a história e fundamentos da fotografia até técnicas específicas para quem quer desenvolver seu olhar fotográfico e registrar elementos da natureza como paisagens, animais, plantas ou fenômenos naturais.

Foto: © Tietta Pivatto | Photo in Natura, 2012
 
O grupo de 15 alunos – limite de vagas oferecidas, para um melhor aproveitamento – foi bastante variado, com pessoas de atividades profissionais e interesses pessoais diversificados, mas que compartilham o gosto comum pela natureza e pela fotografia. Com base nos relatos dos participantes após a conclusão do curso, acreditamos ter atingido plenamente o objetivo de fornecer as ferramentas essenciais para ajudá-los a desenvolver e aprimorar a prática desta atividade tão fascinante.


Foto: © Tietta Pivatto | Photo in Natura, 2012

O Curso de Introdução à Fotografia de Natureza oferecido pela Photo in Natura é uma versão aprimorada de atividades semelhantes que desenvolvemos desde 2007 em eventos como o Encontro Brasileiro de Observação de Aves (AvistarBrasil) e em instituições como o SESC-SP. Nos moldes atuais, já foi ministrado em Campo Grande (MS), em San Martín de los Andes (Patagônia Argentina) e agora em Bonito (MS).


Foto: © Tietta Pivatto | Photo in Natura, 2012

 Caso tenha interesse em levar este ou outros de nossos cursos
para sua região, por favor entre em contato conosco

Foto: © Tietta Pivatto | Photo in Natura, 2012

Seguem alguns relatos dos participantes:
“O curso poderia durar mais, de tão bom que é. Além da experiência fotográfica temos a interação com os colegas. Um novo ciclo de amizades que se inicia – e viva a fotografia!”

“Gostaria de agradecer e exaltar a minha admiração pelo trabalho de vocês! Parabéns pela organização, me senti muito acolhida e à vontade – ganharam uma grande fã!”

“Excelente o curso, aprendi principalmente a registrar com mais sentimentos as lindas paisagens que vejo na natureza.”

“Ótimo curso! Consegui aprender muito e ganhar mais experiência nesta área magnífica que é a fotografia de natureza.”

Foto: © Tietta Pivatto | Photo in Natura, 2012
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Terça-feira, Abril 17, 2012

Como será o futuro
para a fotografia de natureza?*

* Por Daniel De Granville com contribuição de Tietta Pivatto.
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Um dia isso já foi floresta...
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2007

Tem uma coisa na qual estou pensando há tempos e hoje decidi escrever a respeito. Trata-se de uma reflexão sobre como serão feitas as fotografias de natureza em um futuro próximo. Vou tentar explicar minha ideia e minhas angústias.

Que o universo digital deixou tudo mais imediatista já é ponto pacífico: mensagens devem ser respondidas em poucos minutos, textos e vídeos têm que ser cada vez mais curtos, uma variada gama de informações sobre qualquer assunto está disponível em segundos pela internet, fotografias são tiradas e divulgadas mundo afora neste mesmo intervalo de tempo. A tecnologia, que deveria nos trazer mais tempo livre, tem ao contrário acelerado nosso tempo, reduzindo prazos para tudo.

... e isso também.
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2007

Como não poderia deixar de ser, este ritmo tem um reflexo direto no comportamento das gerações mais jovens. Percebo isto no dia-a-dia, seja nas ruas da minha cidade, acompanhando alunos do ensino médio em viagens de estudo ou no contato em redes sociais. Por exemplo, acho que nenhum deles escuta um CD do início ao fim, geralmente elegem a(s) melhor(es) música(s) do disco e as compram separadamente em sites especializados. Aquela obrigação de comprar um CD inteiro já é coisa do passado. Via de regra, nem uma canção inteira eles conseguem ouvir, noto que geralmente tocam menos da metade e já pulam para a próxima.

Mas o que isto tem a ver com a fotografia de natureza?


A exuberante Mata Atlântica que ainda resta em algumas partes do país.
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2009

Bem, a prática fotográfica também está seguindo rumo semelhante. De maneira geral, fotografar tornou-se um ato automático, impensado, banal até. Tira-se rapidamente dezenas ou centenas de fotos com o celular e coloca-se tudo no Facebook, no Instagram ou no Flickr – ou dá-se apenas uma olhadela no próprio visor do aparelho, seguida de um clique no botão de “lixeira”. Pronto, lá se foram as imagens para sempre. Um ato tão imediatista quanto tornou-se o mundo da informação. A fotografia, que deveria conter poesia, contando uma história apenas com uma imagem, torna-se apenas um registro efêmero, rapidamente substituído pelo próximo disparo.

Sai a natureza, entra o ritmo alucinante das grandes metrópoles.
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2009

Porém, fotografar a natureza não funciona desse jeito. Os bichos, as plantas, os fenômenos naturais não vivem no mundo da informação rápida. Aquele passarinho continua comportando-se de maneira muito semelhante à dos seus ancestrais, as flores continuam dando o ar de sua graça em determinada época do ano, o sol continua seguindo seu ritmo há milhões de anos, a onça-pintada continua sorrateira e cheia de caprichos para se mostrar às lentes dos fotógrafos. Estar na natureza testemunhando esses momentos torna a imagem especial e única, por carregar em si todo esse conhecimento e sabedoria que só o tempo e a contemplação conseguem traduzir.

E – desculpem-me pelo pessimismo – a coisa só tende a piorar. A ação humana está degradando os ambientes naturais e reduzindo drasticamente as possibilidades de se encontrar locais conservados, onde as fontes de inspiração dos fotógrafos de natureza ainda estejam disponíveis.

Só com florestas e muita paciência é possível registrar cenas assim.
Foto: © Daniel De Granville | Photo in Natura, 2006

Então, a meu ver temos dois fatores desfavoráveis ao futuro da fotografia de natureza. Por um lado, a atividade exige paciência e respeito a um ritmo cada vez menos compatível com a realidade – temo que poucos das “futuras gerações” conseguirão compreender este aspecto com sensibilidade e dedicar-se horas a ficar parado no mato esperando o momento certo para acionar sua câmera. Ao mesmo tempo, as notícias que ouvimos diariamente sobre o rumo que as políticas ambientais estão tomando são desanimadoras. Se hoje já é difícil fotografar coisas da natureza que há algumas décadas eram relativamente abundantes, amanhã será mais raro ainda. Ou seja, talvez os futuros fotógrafos de natureza precisarão ser mais pacientes do que nós somos hoje, caso queiram mostrar ao mundo imagens espetaculares do mundo natural. Cada vez teremos menos elementos naturais para fotografar, que serão explorados ao máximo. Talvez o imediatismo e a redução da biodiversidade tragam como consequência, entre tantas outras coisas, a redução da riqueza fotográfica. Será um mundo menos colorido esse da fotografia de natureza...
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