sábado, julho 08, 2006

"O Lugar Certo"

Formigas interagindo com pulgões em um ramo | FOTO: © Daniel De Granville, 2006



Tietta encontrou este texto no livro que está lendo atualmente, em sua reta final para concluir o Mestrado. Achou que tinha “tudo a ver com fotografia de natureza”, leu em inglês para mim e eu decidi traduzir para poder compartilhar com os visitantes do Blog do Fotograma.

Realmente, seu autor Edward O. Wilson (um dos maiores naturalistas da atualidade) consegue expressar muito do sentimento que tenho quando vou a campo fotografar. Ele fala sobre persistência, paciência, atenção, concentração, olhar criativo e até um pouco de sorte – praticamente tudo o que eu julgo necessário para “caçar” uma boa fotografia de natureza. Espero que apreciem a leitura!


"O Lugar Certo"

O naturalista é um caçador civilizado. Ele entra sozinho no campo ou na floresta e fecha sua mente para tudo exceto aquele momento e lugar, de forma que a vida ao seu redor pressiona todos os seus sentidos e os pequenos detalhes ganham mais e mais importância. Ele começa a sua busca para a qual o conhecimento foi projetado. Sua mente se desfoca e passa a focalizar tudo ao mesmo tempo, sem mais se dedicar a qualquer tarefa comum ou diversão. Ele avalia o vôo gracioso dos mosquitos em acasalamento formando um enxame em forma de cone, a inclinação dos raios de sol que o permite observá-los melhor, a modelagem precisa dos musgos e líquens no tronco da árvore que são irregularmente iluminados por estes raios. Seu olho viaja subindo pelo tronco até o primeiro galho e depois sai para um feixe de pequenos ramos com folhas e depois volta, à procura de alguma irregularidade no formato ou movimento de alguns poucos milímetros que possam denunciar um animal em seu esconderijo. Ele fica à escuta de qualquer som que quebre os prolongados encantos do silêncio. De tempo em tempo ele traduz suas impressões presentes de olfato e solo e vegetação para o pensamento racional: o antigo cérebro olfativo fala com o córtex moderno. O caçador-naturalista sabe que ele não sabe o que vai acontecer. Ele é requisitado, como Ortega y Gasset expressou, a desenvolver uma atenção diferente e superior, “uma atenção que não consiste em fixar-se na presunção, mas consiste precisamente em não presumir nada e em evitar a distração”.

Edward O. Wilson, em “Biophilia, The human bond with other species” (p. 103).

Pata de lagartixa | FOTO: © Daniel De Granville, 2006

sexta-feira, julho 07, 2006

Papos da Alemanha, Parte 4: Formigas!

Deve ser assim que as formigas de jardim enxergam o mundo... | FOTO: © Daniel De Granville, 2006



“Aqui na Alemanha não deve ter muita formiga igual lá no Pantanal, ainda mais logo depois do inverno acabar”
, pensei comigo ao decidir me deitar no chão dos jardins da Villa Waldberta, onde fiquei alojado desenvolvendo meus trabalhos por 3 meses. E lá fui eu com a câmera no pescoço, barriga e peito no gramado, tentar fotografar as primeiras flores da primavera sob um ângulo diferente.

Até acabei conseguindo as imagens que queria, mas não sem antes descobrir que havia deitado exatamente em cima de um tremendo formigueiro. Suas proprietárias estavam bem bravas, e o saldo foi uma dúzia de ardidas ferroadas no pescoço, bochechas e lábios...

E assim, contando a história aos amigos alemães para quem mostrei as tais fotos, aprendi "na pele" mais uma lição prática do idioma alemão: "formigas" = "Ameisen"!

Flores ao vento | FOTO: © Daniel De Granville, 2006

quarta-feira, julho 05, 2006

As Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs)

Flutuação no Rio Sucuri (RPPN da Fazenda São Geraldo, Bonito, MS) | FOTO: © Daniel De Granville, 2006


Conforme comentei há alguns dias aqui no Blog do Fotograma, desde o ano passado eu venho realizando registros fotográficos em algumas RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) de Mato Grosso do Sul. Durante as viagens a campo, tive a oportunidade de presenciar cenas indescritíveis, fotografar algumas delas e conhecer pessoas que se dedicam com muita seriedade à conservação dos nossos ambientes naturais. Foram necessários deslocamentos a pé, de barco, avião, carro, a cavalo e até mergulhando para poder captar as imagens. Trabalhoso, mas gratificante!

O objetivo do projeto, contratado em parceria entre a CI-Brasil e a REPAMS, é a criação de um banco de imagens para a elaboração de catálogos e outros materiais de divulgação, sempre visando conscientizar a população e os proprietários rurais sobre a importância de tais Unidades de Conservação para a manutenção de nossa biodiversidade.

Esta semana foi concluída a primeira etapa dos meus trabalhos, e uma seleção com algumas de minhas fotos favoritas pode ser vista na Galeria do Mês (julho/2006) do Fotograma.

As RPPNs fotografadas foram:
RPPN Fazenda da Barra (Projecto Vivo)
RPPN Fazenda Lageado
RPPN Morro da Peroba (Fazenda Capão Bonito)
RPPN Reserva Ecológica Vale do Bugio
RPPN Neivo Pires (Faz.Portal do Pantanal Sul)
RPPN Pata da Onça (Fazenda Santa Sophia)
Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro
RPPN Fazenda São Geraldo (Rio Sucuri)

Para saber mais:
Informações gerais sobre RPPNs
Sobre as RPPNs de Mato Grosso do Sul
Sobre o trabalho da Conservação Internacional (CI-Brasil)


RPPN da Reserva Ecológica Vale do Bugio, Corguinho, MS | FOTO: © Daniel De Granville, 2006

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