domingo, abril 12, 2009

Todo dia eu vejo uma ave...

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O artigo a seguir, originalmente publicado em minha coluna no PortalBonito há algumas semanas, foi escrito antes da aprovação por unanimidade da Lei que criou em Bonito o Dia Municipal das Aves (03 de Outubro) e oficializou o Udu-de-coroa-azul como a Ave Símbolo do município. Saiba tudo sobre esta ótima novidade no blog BonitoBirdwatching!


Udu-de-coroa-azul, recém-eleita Ave Símbolo de Bonito!
Foto: © Daniel De Granville, 2005



"Todo dia eu vejo uma ave"


Invariavelmente, nossas rotinas nos deixam tão acostumados a certas coisas que nós nem reparamos mais nelas. Seja o som de algum aparelho de casa, sejam as cenas que você vê todos os dias no seu caminho para o trabalho. Mas se pararmos para prestar atenção, tem muitas coisas bonitas e interessantes cruzando nosso caminho diariamente. Um bom exemplo são as aves.

Não importa se você mora em uma grande metrópole como São Paulo ou em uma fazenda isolada no meio do Pantanal. Todo dia você acaba vendo uma ave – pode até não reparar, mas elas estão lá te olhando e pedindo para serem vistas por você. Tente observar isto, hoje mesmo ao voltar para sua casa ou simplesmente descansando no seu quintal durante o fim de semana.

Na cinzenta e poluída São Paulo, mais de uma vez pude ver, da janela do ônibus preso no congestionamento, periquitos alimentando-se tranquilamente nas árvores de alguma pracinha. E sou capaz de garantir que, mesmo quem passa o dia trancado em um escritório no topo de um edifício, mais cedo ou mais tarde vai observar sua ave do dia. Todo dia. Pode até não topar com outros bichos, como um cachorro, um gato ou um grilo, mas aquela pomba em cima do muro ou o bem-te-vi pousado na rede elétrica vai estar lá!

Nós, aqui em Bonito, somos muito mais privilegiados. Vivendo na Serra da Bodoquena, região que já tem mais de 400 espécies listadas, observar aves no dia-a-dia é “moleza”. Um bom exemplo? Somente no bairro onde moramos, a menos de 2 km do Centro, sem fazer nenhum esforço específico – ou seja, sem acordar cedinho e sair com o binóculo em punho – já conseguimos ver cerca de 80 espécies!

Mesmo que nós ainda não tenhamos despertado para as aves à nossa volta, muitos visitantes de Bonito já buscam por elas, conseqüência do aumento de praticantes do turismo de observação de aves no Brasil. Este segmento está apenas começando a se desenvolver na região, mas tem muito potencial! Vide o Projeto Economia da Experiência iniciado esta semana por aqui.

De fatos como esse, associado ao sucesso do Curso de Observação de Aves que ministramos em Bonito em outubro passado, surgiu a idéia de se criar uma CULTURA DAS AVES na cidade, começando com a oficialização do udu-de-coroa-azul como "Ave Símbolo de Bonito" e 3 de outubro como "Dia Municipal das Aves".

O Udu é o mais forte candidato pela sua beleza e por não haver no planeta algum lugar onde se veja estas aves com tanta facilidade como em Bonito. O dia 3 de outubro, no auge da melhor estação para se observar aves, integraria uma espécie de “Semana da Ave”, já que no dia 2 comemora-se o aniversário de Bonito, 4 é Dia de São Francisco (protetor dos animais) e 5 é o Dia Mundial das Aves.

Assim, ao associarmos um pássaro tão belo e simbólico com a nossa cidade, estaremos dando um importante passo em direção não apenas à consolidação do turismo de observação de aves, mas também para despertar na comunidade o interesse e a vontade de conhecer e preservar estes animais, uma das maiores riquezas da Serra da Bodoquena!

E você, já viu sua ave hoje?!
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quarta-feira, março 25, 2009

Mama África

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.Impossível não lembrar daquelas cenas de
perseguição de leoas a gnus no Animal Planet :-)
Foto: © Daniel De Granville, 2009


Foram apenas quatro dias, dois safáris e muita chuva no Parque Nacional Pilanesberg, África do Sul... Mas aí está a nova Galeria do Mês do Fotograma.

Para ver as imagens, clique no box "GALERIA DO MÊS", localizado na coluna da direita da página principal do Fotograma. Caso tenha alguma dificuldade, por favor tente este link alternativo.


A cratera do vulcão extinto onde situa-se o Parque
pode ser vista a mais de 30 km de altura
Imagem: © Google Earth, 2009

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quinta-feira, março 12, 2009

Nas Terras do Rei Leão!

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Girafas na chuva
Foto: © Daniel De Granville, 2009


A introdução ao meu primeiro safári na África não poderia ter sido mais didática. Contemplando a paisagem da savana pela janela do nosso ônibus, ainda antes de chegar no Parque Nacional de Pilanesberg, situado na cratera de um vulcão extinto, a guia local me dá as dicas:

“Durante o safári você deve orientar os clientes a não colocarem o corpo para fora do veículo e nem fazerem muito barulho, pois isto...”

Lembrando dos passeios no Pantanal, eu concluí a frase mentalmente e já ia dizer “pode espantar os bichos e eles fugirão”, mas ela foi mais rápida e completou:

“... pode estimular os animais a atacarem o veículo”
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Bem vindo à África!

Nosso passeio começou por uma paisagem que, caso eu mostrasse apenas as fotos, sem legendas nem bichos, o observador menos atento poderia garantir que era nosso Cerrado. Mas a cena que se seguiu confirmou que estávamos em um lugar muito diferente.

Savana Africana: qualquer semelhança com o Cerrado
não é mera coincidência
Foto: © Daniel De Granville, 2009


Poucos minutos após sairmos da pousada, o tempo começou a fechar e nosso temor de chuva se confirmou, com direito a uma intensa tempestade de granizo. Mesmo assim decidimos continuar, afinal não é todo dia que se pode ir à África... Alguns quilômetros adiante, vimos que outros veículos do safári tinham parado e começado a andar de ré. Imaginamos que havia algo interessante na beira da estrada e vimos nosso guia falando algo no rádio, para em seguida começar a recuar também. Só então percebemos que um elefante avançava em nossa direção e não parecia disposto a mudar de rumo. Continuamos neste ritmo de recuar e parar o carro, até que o bichão decidiu sair da pista e seguir seu caminho, entrando na savana e começando a devorar despreocupadamente as folhas de uma árvore.

Abram caminho pro elefante!
Foto: © Daniel De Granville, 2009


Depois disto vieram gnus, impalas, chacais, rinocerontes, hipopótamos, zebras. O começo da noite foi brindado com um bando de 10 leoas subindo o morro para caçar. Iluminados pelo farolete, seus 20 olhos brilhavam de forma semelhante aos jacarés no Pantanal. Inesquecível. Bem vindo à África, até a próxima!

Leão em momento de preguiça
Foto: © Daniel De Granville, 2009

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