segunda-feira, dezembro 14, 2009

“Preciso fotografar esse carrapato!”

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.O fascinante momento em que uma cigarra eclode de seu exoesqueleto
Foto: © Daniel De Granville, 2009


O aprendizado na fotografia às vezes vem de uma forma que a gente nunca espera, e este é o tema da história de hoje.

Como provavelmente acontece com todo fotógrafo, conforme fui aprimorando meus conhecimentos passei a querer fazer fotos mais especiais, exclusivas, diferentes. O nível de qualidade das imagens publicadas em veículos como a prestigiada National Geographic parece subir a cada edição, aumentando a expectativa dos apreciadores de imagens da natureza e a pressão sobre os fotógrafos. Para se destacar neste meio, não basta tirar uma foto do bem-te-vi pousado em um galho sem fazer nada. Tem que mostrar algo diferente, seja no comportamento do animal, seja no ângulo escolhido, seja na raridade da espécie fotografada.

Assim, há alguns anos comecei a alimentar um certo “desprezo” por fotografar bichos comuns em situações comuns. Só queria o que fosse inédito, inusitado. Demorou um tempo até eu perceber o quanto estava enganado e errado ao assumir tal atitude. Mais precisamente, fui me ligar disto em 2005, quando produzimos o Guia de Campo de Bonito (não que a Tietta já não pegasse no meu pé muito antes disto, cobrando que eu fotografasse o urubu, o anu-preto, o sabiá-do-campo pousados “sem fazer nada”, mas eu não dava ouvidos).

Maria-fedida - ainda bem que ainda não dá
pra enviar cheiros pela internet...
Foto: © Daniel De Granville, 2009


Pois lá estávamos em abril daquele ano, definindo quais bichos e plantas iriam entrar no guia. De vários eu tinha fotografias, mas boa parte delas com uma visão “artística”, que não servia para mostrar detalhes da espécie aos usuários do livro. Ou seja, tive de dar o braço a torcer e começar a montar um arquivo com imagens que, mesmo não tendo qualquer característica que faziam delas belas fotos, teriam uma grande utilidade.

Agora a história começou novamente: a tiragem de 5.000 exemplares do Guia de Campo de Bonito está se esgotando, e em setembro passado decidimos que, ao invés de apenas reimprimir o mesmo livro, vamos produzir algo bem maior e abrangente. Lá vamos nós novamente, a mesma equipe, um outro projeto.

O Guia de Campo Pantanal & Bonito será a primeira publicação sobre estas regiões a cobrir grupos tão diversos como insetos, aracnídeos, crustáceos e fungos, além das tradicionais árvores e vertebrados geralmente abordados em livros deste tipo. Com cerca de 450 páginas, conteúdo bilíngue (português/inglês) e todos os cuidados para tornar a publicação confiável e prática de se usar em campo, estamos em fase de captação de recursos e acreditamos que até meados de 2011 teremos mais esta novidade no mercado!

Normalmente eu teria esmagado essa mutuca instintivamente enquanto
ela me sugava o sangue,mas esta colaborou tanto comigo
que ganhou a liberdade e será personagem do nosso guia!
Foto: © Daniel De Granville, 2009


Ou seja, ultimamente este fotógrafo de natureza que vos escreve tem passado horas e horas de suas noites capturando e fotografando vaga-lume, mutuca, grilo, besouro, caramujo na mesa da cozinha (caros convidados para o jantar, podem ficar tranquilos que eu limpo tudo direitinho depois : -).

Lição aprendida! Aliás, como a gente aprende (e ensina) fazendo essas coisas...
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